Edição 2026 aposta em ação inédita com artista plástico brasiliense para ampliar a experiência dos consumidores
A edição de 2026 do Brasil Sabor no Distrito Federal trouxe uma iniciativa que vai além da gastronomia. Neste ano, o festival incorporou arte e inclusão à experiência dos consumidores ao convidar o artista plástico Augusto Corrêa para assinar a ilustração de um jogo americano exclusivo distribuído durante o evento.
Promovido pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), o Brasil Sabor segue até 7 de junho e reúne mais de 80 restaurantes no Distrito Federal. Com o tema “A Seleção da Cozinha Brasileira”, a edição celebra a diversidade e a riqueza da gastronomia nacional, incentivando o público a conhecer diferentes estabelecimentos participantes.
Distrito Federal decisivo na criação do festival
Realizado anualmente pela Abrasel, o Brasil Sabor chega à sua 20ª edição em 2026 e acontece simultaneamente em mais de 70 cidades distribuídas por 19 estados brasileiros. Os pratos criados especialmente para o festival valorizam ingredientes, tradições e releituras gastronômicas, com valores entre R$ 59,90 e R$ 119,90.
A história do evento tem forte ligação com Brasília. Segundo Newton Garcia, líder de relações institucionais da Abrasel, a capital federal serviu de inspiração para a criação do festival em âmbito nacional. “Antes do Brasil Sabor começar, nós fizemos o Brasília Sabor. Foi após o sucesso dos dois primeiros anos deste evento que nasceu o Brasil Sabor”, revela.
Para esta edição, a Abrasel retomou uma ação que busca estimular o público a visitar mais restaurantes participantes. “Eu levei a ideia de fazer novamente o Circuito Gourmet, algo que já tinha implantado há alguns anos aqui em Brasília", conta Garcia.
A iniciativa oferece duas formas de premiação aos consumidores. Quem experimentar os pratos do festival em três estabelecimentos diferentes recebe o jogo americano ilustrado por Augusto Corrêa. Já os participantes que visitarem seis restaurantes ganham um voucher para consumir um dos pratos do evento.
Arte reforça diversidade e valorização cultural
Após receber o convite para participar do festival, Augusto Corrêa e seu pai, Jack Corrêa, iniciaram o processo de seleção da obra que seria reproduzida nos jogos americanos. “Nós pegamos materiais de umas 50 artes dele e fomos evoluindo para ver o que ia ficar legal”, conta Jack. A peça escolhida apresenta formas geométricas coloridas produzidas originalmente com canetas hidrocor e reproduzidas em tecido para compor o material distribuído aos consumidores.
Para Carlos André de Souza, proprietário do Gran Monumental Restaurante & Gastrobar, um dos participantes do festival, a iniciativa agrega valor à experiência oferecida ao público. “Brasília tem muito essa questão do apelo visual de artistas. Então, assim, são referências da cidade que são expostas em objetos do dia a dia do candango”, destaca.
Participando pela primeira vez do Brasil Sabor, o restaurante apresentou um prato de salmão grelhado com redução de maracujá e limão siciliano, acompanhado de risoto negro.
Trajetória artística começou ainda na infância
Hoje com 25 anos, Augusto Corrêa é um artista plástico com síndrome de Down que já teve obras expostas em Brasília, Miami e Nova York. O interesse pela arte surgiu ainda na infância e ganhou força durante a adolescência. “Num determinado momento, aos 12 anos, ele (Augusto) começou a pintar umas bolinhas e uns quadradinhos muito interessantes, sabe? E aí ele começou a mostrar que de tudo que ele tentou, a coisa que mais chamou atenção dele foi pegar canetinhas de hidrocor e começar a pintar”, revela Jack, pai de Augusto.
O talento chamou a atenção de um curador próximo à família, que passou a digitalizar os desenhos e transformá-los em obras de maior formato. “Esse nosso amigo começou a digitalizar aqueles desenhos, e ao digitalizar você pode ampliar do tamanho para o que você quiser, e ele passou aquilo para um papel especial de quadro e começou a vender os quadros", conta Jack.
O reconhecimento veio rapidamente. Aos 13 anos, Augusto realizou sua primeira exposição no Espaço Cultural do Senado Federal, durante as comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down.
Posteriormente, suas obras chegaram ao mercado internacional. “Ele (Augusto) ficou muito amigo do João Cândido Portinari, filho do Portinari. O Cândido Portinari o apresentou a uma galerista de Miami e ela promoveu uma exposição dele dentro de uma galeria de lá, durante a Art Basel”, narra Jack. O sucesso da mostra levou o artista a participar também da New York Expo em 2024.
Inclusão amplia a experiência do festival
A parceria com o Brasil Sabor marca a primeira aproximação de Augusto Corrêa com o universo gastronômico. Para Jack Corrêa, a iniciativa representa uma oportunidade importante de ampliar a visibilidade do trabalho do artista e fortalecer ações de inclusão. “A gente fica muito feliz, porque isso chama-se inclusão, sabe?”, comenta Jack.
Ao integrar gastronomia, arte e representatividade, o Brasil Sabor amplia a experiência oferecida aos consumidores e reforça o compromisso do festival com a valorização da diversidade. A iniciativa transforma um elemento simples do cotidiano em uma ferramenta de inclusão e de divulgação do trabalho de um artista brasileiro que vem conquistando reconhecimento dentro e fora do país.




